É uma maneira disfarçada de dizer que vai tirar milhões de pessoas do programa.
A notícia foi dada à CBN Bahia por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, ela explicou que o candidato pretende estabelecer um prazo para estimular a saída dos beneficiários do Bolsa Família por meio do empreendedorismo ou da contratação com carteira assinada. É o “tesouraço” começando a se descortinar diante do país.
“Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada”, explicou a assessora de Flávio. A economista demonstra completo desconhecimento do funcionamento do programa. São vários os mecanismos de saída do Bolsa Família de Lula.
“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade”, afirmou Daniella Marques, prenunciando os cortes.
Flávio tem mentido ao público dizendo que vai manter os programas sociais, mas quando se reúne com os ricaços e banqueiros em festas e jantares, promete a eles que vai cortar tudo. Sua promessa já está entre 250 e 300 bilhões de reais de cortes no Orçamento da União.
A avaliação é que a proposta já é uma sinalização dos primeiros cortes nos direitos do povo se um governo de extrema-direita vier a ganhar.
O anúncio desmascara as alegações de Flávio de que pretende manter os programas sociais às famílias de baixa renda. Percebendo o estrago da proposta que está desmascarando a sua farsa, Flávio correu para publicar um vídeo tentando se explicar. Tentou mas não conseguiu. A intenção de cortar cotinua.
“Manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda é a garantia mínima de dignidade para as famílias e de sobrevivência para o comércio local no Brasil profundo”, afirma a economista Luiza Nassif
Os cortes nos benefícios sociais, em especial os da Previdência e do BPC, trariam impacto arrasador na economia de cerca de 4 mil dos 5.569 municípios do Brasil que não fazem parte das regiões metropolitanas, segundo estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
De acordo com o estudo, nessas cidades do interior, o peso dos programas sociais chega a ser o dobro em relação aos dos grandes centros urbanos.
A “tesourada” defendida pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro, que visa cortar em torno de R$ 250 bilhões do orçamento, só seria possível na Previdência Social e nos programas sociais, segundo alertam economistas.
As aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de contribuir para gerar a economia nos pequenos municípios, chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres, aponta o estudo.
“Como o valor recebido por essas famílias é usado quase integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no comércio local, garante empregos e mantém a arrecadação municipal ativa”, destaca Luiza Nassif, professora da Unicamp.
Fonte: CONTRICOM.