Cerca de 200 lideranças, representando sindicatos e federações de quase todos os estados, marcaram presença no evento que fortaleceu a união e a luta dos trabalhadores do setor que gera centenas de milhares de empregos no país.
O encontro se consolidou como um dos mais importantes espaços de debate, formação e articulação política da categoria, em um momento marcado por profundas mudanças no mundo do trabalho, avanço da terceirização, pejotização e desafios no setor da madeira e do mobiliário.
Promovido por entidades da construção e do mobiliário, com destaque o apoio da FETRACONSPAR e da FETICOM/SP, o evento contou com uma programação de debates sobre conjuntura nacional e internacional, mercado de trabalho, saúde e segurança, direitos trabalhistas e organização sindical.
O encontro contou com a presença de lideranças sindicais do setor da Argentina, fortalecendo a integração latino-americana. E também tratou das questões alusivas à certificação florestal e sustentabilidade com representante do FSC (Forest Stewardship Council). O evento contou com a presença de representantes de todos as centrais sindicais, numa sinalização da unidade da categoria em todo país.

ABERTURA – Na abertura do evento, o presidente da CONTRICOM e da FETRACONSPAR, Reinaldim Barboza Pereira (foto no destaque), fez uma saudação aos participantes, ressaltando o crescimento do movimento evidenciado no 28ª edição do evento. “Sairemos daqui maiores do que entramos para enfrentar os desafios futuros na defesa dos interesses de nossos trabalhadores”, afirmou.
Carlos Roberto da Cunha, o Carlinhos, presidente do sindicato em Arapongas, considerado o maior polo moveleiro do país, deu as boas vindas como entidade anfitriã. Gilmar Guillen, presidente da FETICOM-SP, entidade apoiadora do evento, falou da importância do encontro e destacou a expressiva participação da delegação de São Paulo.
Também participaram e fizeram uso da palavra dirigentes Adriana Machado de Assis, presidente do SITRACON de Bento Gonçalves (RS);
Arivonaldo Galdino, presidente do SINDMARCENEIROS-SP; e Fernando Carlos, dirigente do SINDMAR de Belo Horizonte (MG). O prefeito de Arapongas, Rafael Cita, também fez uma saudação aos presentes e falou da importância do setor e dos trabalhadores moveleiros para a cidade.
Lideranças de todo país testemunham a importância do 28º Encontro Nacional

Carlos Roberto da Cunha – presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas/PR – STICMA
“Esse 28º encontro que estamos realizando aqui em Arapongas é um evento de suma importância para a classe trabalhadora do setor de móveis e madeira. A instrumentalização que estamos recebendo, através de juízes do trabalho, de advogados que militam na área, e tantas outras pessoas que passaram por aqui, é fundamental para melhorar nossa atuação, tanto no campo econômico, como no dos direitos, como saúde, principalmente quanto à questão da saúde mental. Hoje, infelizmente, vemos muitos trabalhadores com problemas de depressão, de ansiedade, tudo devido ao grande ritmo de trabalho a que estão submetidos. Nosso encontro já fugiu da fronteira Brasil e já estamos entrando na fronteira de outros países, para que possamos aproveitar as boas experiências e aplicá-las aqui, principalmente em nossas negociações coletivas”

João Francisco Felisbino Andrade – Diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Construção e do Mobiliário do Prata/MG – SINTICOMP
“Todas as instituições sindicais deveriam participar ou criar eventos dessa natureza e magnitude, pois a troca de informações e experiências é muito importante para melhorar a vida de nossos trabalhadores, seja do mobiliário, seja da construção civil, seja de qualquer outra natureza. O sindicalismo, por mais que tenha linhas divisórias entre as categorias, nós somos um corpo só”.

Adriana Machado de Assis – Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Bento Gonçalves/RS – SITRACOM-BG
“Esse é um evento muito importante para o movimento sindical, e que cresce cada vezmais, com mais sindicatos. Para nós, da organização, o evento é muito importante, principalmente pelo momento que estamos vivendo de tanta instabilidade. Através da troca de experiências, conseguimos fortalecer a ação de nossos sindicatos. Hoje, temos mais de 170 lideranças, uma vitória para todos. Como mulher, também quero registrar a participação crescente das mulheres em nossos sindicatos, o que devemos sempre estimular. Só aqui temos 5 presidentes de sindicatos que são mulheres, o que é muito gratificante. Um exemplo sou eu, presidente de um sindicato de uma cidade onde existe muito machismo e racismo. Saímos daqui com a certeza de que estamos no caminho certo e com o objetivo de fazer crescer esse movimento em defesas dos trabalhadores moveleiros do Brasil.

Michele de Souza Pereira Diretora do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília e Entorno – STICOMBE Brasília
“Esse já é o segundo encontro que participamos. O primeiro foi em Ubá, em Minas Gerais. São eventos que nos enriquecem muito. Nos enriquecem para os desafios das mesas de negociação, na defesa dos interesses dos nossos trabalhadores da madeira e do mobiliário. O evento foi muito bom para que possamos fazer a luta com mais firmeza e veemência em favor de nossos trabalhadores. Saímos daqui muito mais preparados para os futuros desafios”.

Izelda Teresinha Oro – presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Chapecó/SC – SITICOM
“Esse 28º encontro trouxe muitas informações, mas, o mais importante é saber o que os dirigentes farão com essas informações. São coisas graves, como o que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal, que pode simplesmente acabar com a CLT, não apenas com os direitos trabalhistas, mas a Previdência Social, o Sistema Único de Saúde, então é uma situação que parece um terrorismo que estão fazendo com os trabalhadores. O que acontece é que a inércia do movimento sindical ainda continua. Os sindicatos, seja pequeno ou grande, têm que se organizar junto com as centrais sindicais, confederações e federações , tem que se mobilizar e se unir para combater essa situação que está no Supremo, senão estaremos contribuindo para exterminar o direito do trabalho, acabando com os direitos dos trabalhadores. É o momento de acordar. O problema é que, quando se volta para as bases, muitos sindicatos não levam em consideração esse aprendizado. Sou muito crítica em relação a essas coisas. Tenho filhos e netos e quero deixar um mundo melhor para eles. Hoje, temos que discutir melhor o papel das federações e confederações. Tem que haver uma mudança e essa mudança tem que partir da nossa geração, para melhorar a situação das futuras gerações. Quero ressaltar também a importância da participação das mulheres, que tem sido crescente. É importante que se diga que o problema ainda é de cultura e que nenhuma mulher quer tirar o espaço do homem. O que queremos é participar e nem sempre nossa crítica é bem recebida. Então, cabe a nós mulheres lutar por esses espaços, como a gente luta por políticas públicas, como também da inserção de cláusulas nas convenções coletivas de trabalho”.

Arivonaldo Galdino – presidente do Sindicato dos Oficiais Marceneiros de São Paulo – SINDMARCENEIROS-SP
“Para mim, tem sido uma surpresa a evolução desses encontros. Este ano batemos o recorde em participantes. O importante é que essa ação que os sindicatos tomaram há 28 anos atrás nos ajuda cada dia mais criar formas de combater as injustiças sociais que ainda atingem nossos trabalhadores, principalmente em questões como salário, saúde, educação. É muito gratificante participar desse encontro também para ter uma noção do que está acontecendo em todo país, principalmente em matéria de emprego. Prezamos muito por tudo isso desde o primeiro encontro em que fomos precursores. Por isso, a importância de continuarmos realizando esses encontros para ampliar e fortalecer nossa luta.

Rita de Cássia – presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Madeira e do Mobiliário de São José dos Pinhais/PR – SOMSJOP
O 28º encontro é um evento de suma importância porque aqui estão reunimos vários sindicatos, várias cidades, vários estados para troca de informações, nesse momento em que estamos à frente de negociações coletivas. Aqui, compartilhamos informações sobre as negociações, sobre as conquistas, então, tudo isso agrega muito para podermos fortalecer nossas convenções coletivas. As palestras também estão sendo muito importantes para absorvermos conhecimentos e colocar nestas convenções coletivas. Esse é o nosso grande objetivo: levar aos trabalhadores melhores condições de trabalho e salário. Temos que destacar a importância também de colocar sempre em primeiro plano a questão da saúde e segurança do trabalhador.

Fernando Carlos – dirigente do Sindicato dos Oficiais Marceneiros de Belo Horizonte/MG – SINDMAR
“Nós fomos precursores desses eventos há 28 anos atrás. Houve uma parada, mas depois retomamos a realização esses eventos. Fizemos em São Paulo, depois em Bento Gonçalves, depois em Ubá, e agora aqui em Arapongas, no Paraná. Esperamos continuar realizando esses eventos por muitos e muitos anos. São encontros muito importantes para a troca de experiência e para saber como está a situação dos trabalhadores do mobiliário. Nós, dos sindicatos dos marceneiros, já somos específicos do ramo. Essas experiências de cada estado, quando compartilhadas, são muito importantes. Vemos que cada estado apresenta uma realidade, mas temos que ressaltar que nossos salários ainda são muito achatados e este é um desafio temos que enfrentar, pois muitas empresas ainda exploram muito os trabalhadores, submetidos a jornadas extenuantes”.

Marcos Antônio Beraldo – presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Umuarama/PR –SINTRICOMU
“Nós, que somos o segundo polo moveleiro do Paraná, principalmente na produção de estofados e colchões, como também como de móveis planejados, temos uma expectativa grande nesses encontros, principalmente em razão da globalização das empresas . Temos empresas grandes em nossa cidade que estão em São Paulo, em Pernambuco. E nesses encontros estamos, nossos sindicatos estão sempre em sintonia, pois o mesmo sofá que está sendo fabricado em nossa cidade também está sendo feito em Pernambuco, o mesmo modelo, sendo que os trabalhadores, que estão fazendo o mesmo produtos, estão ganhando salários diferentes. Então essa troca de experiências nos ajuda a garantir os mesmos benefícios para nossos trabalhadores . Estamos no caminho certo, pois vemos muitas experiências positivas que podemos aproveitar em nossa base”.

Zeomar Tessaro – presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Sul Fluminense – SINDCIVIL
“Estamos aqui nesse encontro em Arapongas e o que nós ouvimos aqui, certamente, vai nos dar base para que possamos ampliar a relação com os trabalhadores, para mostrar aos trabalhadores a importância de estarem organizados, a importância de se preocupar com a saúde e a segurança do trabalhador. Salário é uma pauta econômica devemos buscar melhorar todos os dias, mas é importante destacar a importância da luta pela saúde do trabalhador e também com os direitos das mulheres. Isso nos engrandece e só aumenta nosso compromisso com os trabalhadores do mobiliário, que são trabalhadores que estão na ponta, no dia a dia, mas que, muitas vezes não são valorizados pelo setor patronal. Nós, do sindicato, temos a obrigação de estar organizando e mobilizando esses trabalhadores para que possamos fortalecer ainda mais a sua luta e as suas conquistas”.

Edna de Almeida – secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Guarulhos/SP – SINDCON-GRU e dirigente da FETICOM-SP
“Nesse encontro anual onde vários sindicatos e dirigentes sindicais muito importante a busca de saídas para o nosso ramo do mobiliário, para desenvolver projetos que fortaleça a nossa luta, pois sozinhos ninguém faz nada, temos que trabalhar em conjunto. Hoje, temos a oportunidade de reunir para fazer a análise de conjuntura, avaliar a situação do governo na relação com o nosso movimento e o que podemos fazer para melhorar. Temos este ano a grande responsabilidade de eleger governantes que nos representem, que represente a classe trabalhadora, pois não tivemos sucesso em governos anteriores. Temos aqui grandes lideranças na busca de soluções para fortalecer nossas convenções, garantir direitos. Eu, como mulher, importante incluir pautas econômicas e sociais dentro de nossas convenções, pois isso é uma vitória de todos, homens e mulheres. Estamos lutando também contra o fim da escala 6X1, que é também uma bandeira que estamos carregando para que os trabalhadores tenham melhores condições de vida, tempo para a família. E, prá tudo isso, é preciso luta. Estamos trabalhando 7 por zero pra finalizar o 6 por um. Saímos daqui aprendendo muito e deixando também um pouco de conhecimento. Só tenho a parabenizar os organizadores do evento, também pela participação de mulheres. Para nós foi um grande orgulho”.

Neivo Adair Polaczinski – presidente do Sindicato dos Oficiais Marceneiros de Porto Alegre/RS–SINDIMARCENEIROS
“Deixamos de participar dos últimos eventos em razão das enchentes, pandemia, mas estamos retornando, também representando nossa federação. É um evento muito importante pelo compartilhamento de experiências. Com certeza, cada informação trazida no evento agrega, principalmente para evoluir em nossas negociações. Temos a tarefa de trazer mais entidades sindicais do Rio Grande do Sul para eventos como esse, pois nosso estado ficou um pouco afastado. Quero ressaltar o que disse sobre a concorrência predatória que estamos assistindo no setor. Não tem sentido, por exemplo, os chineses virem no nosso estado, levarem a madeira in natura para a China. Nesse ponto, vejo necessidade de uma intervenção do estado para impedir isso, pois estamos com isso perdendo valor agregado e empregos de qualidade aqui no Brasil”.

Alex Teixeira – presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Carazinho/RS – STCM-RS e diretor da FETICOMRS
“Estamos aqui testemunhando uma experiência muito boa. Aprendemos mais do que já sabemos para atuar no sentido de melhorar a vida do trabalhador, para que o trabalhador possa valorizar mais seu sindicato do que ele já valoriza. Estamos à frente de um sindicato que foi fundado em 1937, portanto, já tem quase 90 anos de existência, um sindicato muito antigo que estamos representando aqui. Hoje, esse 28º encontro dos sindicatos do setor moveleiro vai enriquecer ainda mais nosso trabalho em favor de nossos trabalhadores”.
Fonte: CONTRICOM