O estudo detalha a distribuição das novas barreiras comerciais impostas por Washington e servirá de base para orientar as negociações do governo brasileiro e a busca por novos mercados para reduzir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos.
Mais da metade das exportações continua sem sobretaxas – Segundo o MDIC, 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos permanecem livres das novas tarifas. Nessa categoria estão produtos de grande relevância para a balança comercial, como café, carnes, aeronaves, ferro fundido, suco de laranja, frutas, diversos produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose.
Por outro lado, 4,7% das exportações passaram a ser tributadas em 12,5%, medida anunciada na quinta-feira (23) e relacionada à alegação de práticas de trabalho escravo no Brasil.
Outros 1,9% dos produtos brasileiros enviados ao mercado americano estão sujeitos à tarifa de 25%, aplicada desde 15 de julho após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre supostas práticas comerciais desleais. A combinação dessas medidas faz com que 16,5% das exportações brasileiras sofram dupla tributação, elevando a carga tarifária para 37,5%.
Bens industriais concentram os maiores impactos – O levantamento também mostra que 24,2% das exportações brasileiras permanecem sujeitas às tarifas específicas aplicadas pelos Estados Unidos com base na Seção 232 da Lei de Comércio estadunidense, mecanismo utilizado para tarifar diversos países.
Segundo o ministério, o impacto está concentrado principalmente em bens industriais. O objetivo do estudo é identificar os setores mais expostos às barreiras tarifárias e subsidiar as medidas que poderão ser adotadas pelo governo.
Entre as alternativas em análise estão a continuidade das negociações comerciais com Washington e a ampliação de mercados internacionais para reduzir a concentração das vendas externas em um único destino.
Comércio bilateral perde força – O MDIC também aponta que a escalada das tarifas ocorre em um contexto de desaceleração do comércio entre Brasil e Estados Unidos.
Depois de atingir o recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações para o mercado americano em 2024, o valor caiu para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuou em retração ao longo de 2026.
No primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, resultado 13% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
A retração foi puxada principalmente pela queda das vendas de petróleo bruto, que recuaram 30,4%, e dos produtos de ferro e aço em formas primárias, com redução de 21,7%.
Como consequência, os Estados Unidos perderam participação como destino das exportações brasileiras, passando de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.
Fonte: CONTRICOM